Quase todo estudante de jornalismo ouviu em seus primeiros dias de aula a seguinte história: “Quando um cachorro morde um homem, temos um fato corriqueiro; quando um homem morde um cachorro, aí sim temos algo a noticiar.” Nos dois casos, a ação é a mesma – uma mordida – e os personagens também são os mesmos – um homem e um cachorro. A questão é a inversão dos papéis, o inusitado, o inesperado. Isto faz toda a diferença.
Passando do jornalismo para a política, a eleição de um novo presidente em determinado país, apesar de inevitavelmente sair em todas as capas de jornais, é apenas mais um fato comum, que acontece com certa periodicidade. Alguns resultados até chegam a surpreender, mas dificilmente ganham maiores proporções. No entanto, a recente escolha do novo chefe de uma nação entrou para a história mundial. Os Estados Unidos da América elegeram Barack Hussein Obama, um negro, como presidente da mais poderosa nação deste planeta.
Chega a ser difícil acreditar que em pleno século XXI a quantidade de melanina de uma pessoa seja o principal ingrediente de sua fama. Mas é. Os Estados Unidos têm uma longa história de racismo e segregação. Entre 1876 e 1965, o país que já tinha passado pela Guerra de Secessão viveu sob as leis de Jim Crow que, entre outras coisas, determinava a existência de instalações separadas para brancos e negros em locais públicos. Por isso, a eleição de um negro para comandar o país ganhou dimensões até então inimagináveis.
A mãe de Obama, Ann Dunham, era americana e… branca. Mas o pai, também Barack Obama, era um negro queniano. Para uma grande maioria de norteamericanos, isso seria motivo suficiente para rejeitá-lo. Não bastasse a questão racial, a família do democrata é muçulmana. No entanto, no dia 4 de novembro de 2008 o povo americano nos mandou um recado: era chegada a hora de mudar, e eles podiam mudar. Com 52% do voto popular e ampla maioria no Congresso, um negro foi escolhido para ser o 44º presidente dos Estados Unidos da América.
Em se tratando da maior potência internacional, tudo o que acontece por lá tem reflexos imediatos nos quatro cantos do planeta. O grande passo adiante dado pelos americanos rumo a uma mudança de comportamento foi comemorado por quase todos os países. Guardadas as devidas proporções, é como se Obama tivesse sido eleito para governar o mundo. De certa forma, os Estados Unidos têm participação em todas as guerras que vemos diariamente na tevê. E agora, todos nós depositamos nele, em maior ou menor grau, a esperança de que a paz não seja mais uma meta, mas uma conquista concreta.
Passado este primeiro impacto de se ter um afrodescendente comandando os americanos – e, por tabela, o restante do mundo –, espero que passemos a enxergar Barack Obama apenas como um jovem advogado, ex-senador e homem extremamente preparado para conduzir uma nação com pulso forte; um homem com talento para pôr fim a muitos dos grandes conflitos atuais; um homem capaz de reerguer a economia americana, aliviando as finanças mundiais. Homem este que, apenas por acaso, é negro.
- Patrícia Haddad é jornalista e editora do blog Sobretudo.


[...] o povo que elegeu o primeiro presidente norteamericano negro. No blog em questão,publiquei o texto Um passo adiante. Cliquem no link, leiam, comentem, [...]
Por: S.O.B.R.E.T.U.D.O » Novidade em 26/01/2009
às 23:22
O interessante também é a conquista que ele fez no Planeta em diversas camadas sociais. Eu tenho lido muito sobre a estratégia que ele usou para chegar na Presidência dos EUA.
Por: lesilva em 29/01/2009
às 5:15
Mudanças são sempre necessárias e o exemplo dos EUA é um dos melhores exemplos da força do povo através do voto… Precisamos desa força e dessa consciência dos brasileiros para mudar certas coisas em nosso país.
Além disso, o estilo literário da autora deixa a leitura ainda mais prazerosa!!
Por: Leonardo Allevato em 30/01/2009
às 11:59
Mudou foi?
Por: Zé Paulo em 16/02/2009
às 2:40