
Confesso que não acompanho política externa como deveria. Mas essa última eleição nos EUA parece ter tido o poder de chegar aos ouvidos de todo e qualquer homo sapiens no planeta. Nem em época de Copa do Mundo com final entre dois países com três tricampeonatos cada, houve uma comoção tão grande em torno de um único tema. E olha que vivo no Brasil.
Os anos Bush devem ter sido de tão arrasadores que havia a necessidade de mudar completamente. De inovar. De acender uma esperança nos corações norte-americanos; um recomeço. Uma reconstrução da economia, da soberania. Colocar um ponto final numa guerra completamente despropositada, que estava levando os jovens a um lugar distante e por razões desconhecidas e pequenas, frente ao sofrimento da Nação. Era hora de voltar ao topo de mundo. Não, não falo da gestão de Bush Pai.
À época do Clinton, deve ter havido toda essa coisa também, mas a internet não era, assim, esse lance super rápido que é hoje em dia, então a emoção não chegou direito à gente bronzeada e tropical. Além do mais, em tempos de politicamente correto, nada como um negro chegando com pompa e circunstância à Avenida Pensylvania, 1600.
Dizem alguns pesquisadores, que, na verdade, Jesus era negro. Procedente ou não, os Estados Unidos da América encontrou em Barack Obama o seu próprio Messias. E disse pro resto do mundo que é verdade e que ele veio do céu para salvar-nos de todo o mal. Desde que a gente brinque com as regras dele.
De onde estou – na mais profunda ignorância, uns dirão –, não há grandes diferenças entre os cenários de quando Bill Clinton assumiu e desse atual. Claro, os tempos mudaram. As crises mudaram. A forma como a informação se dissipa mudou. Mas a forma qualquer coisa maniqueísta que nossos companheiros de continente encaram a vida, não mudou. Republicano ruim. Democrata bom. E vice-versa, de acordo com a temática dominante no momento.
Espera, deveria estar falando do Obama. Então, do dia para a noite, ele apareceu em todas as mídias imagináveis. Ele tem MySpace. Ele está no Twitter. Nossa, que moderno, que antenado, que hype, você é. Obama! Fora toda a inclusão digital do novo presidente, não percebi nada de inovador. Não há uma mudança drástica em qualquer comportamento já esperado de um presidente.
Daqui da minha arquibancada, Barack Obama é uma releitura de Bill Clinton, só que mais moreno e mais charmoso. Logo, me falta compreensão para entender toda a euforia. Vai ver que não entendo nada disso porque sofro de dislexia rubro-negra e ainda leio Obina sempre que o nome do novo presidente aparece por aí…
Lilaise é jornalista, trabalha numa consultoria e escreve no Chuteira de Salto e Minissaia.